Durante o meu percurso escolar, as tarefas de matemática que os professores me propuseram em contexto de sala de aula, ficaram na minha memória, tornando-se, assim, parte fundamental para este texto de opinião.
Sempre tive o “dom” de perceber e gostar de Matemática. No entanto, atualmente (e infelizmente), tal não se verifica em relação a alguns alunos.
Na minha opinião, as tarefas que são propostas pelo professor poderão ser um dos fatores cruciais que influenciam a forma como a Matemática é encarada pelos alunos (digo isto por experiência própria como professor).

Apelando à diversificação nas tarefas a propor, o professor poderá marcar de forma positiva o percurso e a aprendizagem escolar dos seus alunos. Para tal, devemos ter em conta um conjunto de regras essenciais para a sua aplicação.

    1. As tarefas têm de ser diversificadas (incluindo vários contextos e conhecimentos matemáticos)
    A proposta de tarefas que envolvam diferentes contextos, situações e que utilizem diferentes conhecimentos matemáticos são uma mais valia para o sucesso e para a progressão pessoal dos alunos.

    2. As tarefas têm que ser acessíveis q.b.
    A utilização de tarefas muito fáceis não contribui para o progresso das aprendizagens dos alunos. As tarefas muito difíceis poderão resultar num momento de frustração geral (quer para alunos, quer para professores). Há que ser um bom gestor de recursos a propor. A dosagem da dificuldade deve ser medida de forma ponderada.
    No ensino da Matemática devem ser privilegiados todos os tipos de tarefas. Desde os problemas, passando pelos exercícios, explorações e até, quem sabe, as investigações. Assim, o professor consegue abraçar o maior número de alunos promovendo aprendizagens com sucesso para todos.

    3. A gestão do tempo deve contemplar as especificidades de cada tarefa
    Dar tempo ao aluno para pensar e refletir sobre o assunto é essencial para o processo de ensino e aprendizagem. Apesar de ter noção que o tempo é um fator condicionante em contexto de sala de aula, as tarefas precisam de ser digeridas, refletidas e pensadas pelos alunos.
    É preciso tempo, mas não em demasia para não esgotar o assunto!

    4. O excesso de ajuda é perigoso
    Dar a resposta à primeira solicitação de ajuda por parte dos alunos perante determinado problema, não incentiva o pensamento matemático. Desta forma, os alunos vão tornar-se dependentes do professor para pensar e isso é não deixar o aluno brilhar por mérito próprio. Assim, nestas situações, aconselho pequenas (sim, pequenas e não grandes!) ajudas ao aluno. Por exemplo: dicas, ideias e esclarecimentos do que se pretende, questões que o façam refletir e focar-se no que é importante... Tudo menos a resposta de forma explícita.
    Se não, vejamos... Se somos professores é porque sabemos Matemática e, portanto, pressupõe-se termos uma pequena ideia da resposta ou da forma de lá chegar (tivemos o nosso tempo de aprender e descobrir sozinhos). Mas então a tarefa destina-se a nós...? Claro que não! Então qual a necessidade de responder...? Mostrar que sabemos mais que os alunos...? Mas isso já não se pressupõe como professores de Matemática que somos...?

    5. A tarefa leva à discussão e não é a discussão que leva à tarefa
    Expor uma tarefa, sem que os alunos explorem e discutam determinado assunto matemático por si próprios, não leva a um sentimento de autodescoberta. Assim, a Matemática apresenta-se como uma área completamente acabada, direta, seca, sem qualquer interesse inerente e sem nenhum grau de liberdade de pensamento e progresso.
    Penso que concordamos todos que a Matemática é muito mais do que isso. Na minha opinião, uma aula que envolva a realização de uma tarefa deverá ter a seguinte ordem de trabalhos: primeiro a exploração tarefa; depois a discussão e sintetização de conteúdos. Qual é o interesse de expor a matéria “tim tim por tim” e depois os alunos aplicarem diretamente o que aprenderam através dos exemplos...? Qual é a descoberta que realizaram...? Como é que se desperta a necessidade da Matemática para a vida real se ela surge como estática e definitiva...?
    Há que fazer os alunos sentir a necessidade de explorar metodologias, símbolos, operações e procedimentos matemáticos. Há que experienciar, vivenciar e encarar a matemática como ciência para resolução de problemas.

    6. A discussão da tarefa tem de ser feita pelos alunos e Professor em conjunto e não só pelo Professor
    Vamos lá refletir... O termo é “discussão” e não “sermão”, “lição” ou “palestra”. A “discussão” implica a troca de ideias acerca de determinado assunto entre todos os elementos de uma assembleia, neste caso, uma sala de aula. Assim, todos os elementos da assembleia têm o direito de expressar as suas ideias, opiniões, dúvidas e sugestões acerca do assunto matemático a discutir. Ou seja, é um momento pluridirecional em que todos os elementos têm o direito de intervir.
    Usando a linguagem dos alunos, “quando o professor papagueia demais a aula é uma autêntica seca!”. Devemos contrariar esta situação, promovendo um papel ativo nos alunos. Cabe, assim, ao professor envolver o grupo nessa discussão, conduzindo e apoiando as ideias que nela surjam.

Depois de uma reflexão pessoal acerca do ensino da Matemática, apresento algumas sugestões acerca da aplicação de tarefas em contexto de sala de aula. Daqui podemos tirar algumas ideias chave que poderão ajudar na promoção de ideias positivas acerca da disciplina e contribuir para o desenvolvimento do raciocínio dos alunos. A ideia é que, através da aplicação de tarefas, o sucesso da matemática passe a ser exponencialmente positivo, contrariando desta forma as tendências de insucesso atuais.