A Matemática é considerada uma ciência exata, bem definida, assente em ideias que se encaixam entre si e que se sustentam firmemente.

Apesar desta “verdade universal”, acabo por refletir sobre temáticas onde a Matemática se mostra subjetiva.

Ainda assim, acabamos sempre por fazer julgamentos estéticos acerca de tudo o que nos envolve... é inevitável pela nossa condição humana. Também a Matemática não é exceção e, por incrível que pareça, podemos afirmar que a estética influencia a forma como as pessoas vêm e encaram esta área.

Recentemente, tive a oportunidade de ler um artigo interessante acerca da Estética Matemática. Nele estavam contempladas ideias acerca do conceito, a sua subjetividade e o seu papel na educação matemática.

A Estética surge associada à Matemática desde da civilização grega. Os antigos gregos acreditavam que a Matemática estava ligada de forma direta à beleza, sendo esta a ciência que procurava o ideal da perfeição.

Atualmente, os matemáticos reconhecem que um dos pilares da Matemática é a estética. De facto, conceitos, teoremas e definições, para além de serem construídas tendo por base fatores lógicos, como a consistência, a independência e a completude, também são definidos tendo em conta aspetos estéticos.

Nesta vertente, enquadram-se aspetos como a simplicidade e a elegância. Temos, como exemplo, a muito conhecida fórmula de Euler ou ainda o enunciado do Teorema de Pitágoras.

Curioso que poucos são os matemáticos que refletem e escrevem acerca da estética Matemática, apesar do seu constante reconhecimento. Ainda assim podemos falar acerca de aspetos estéticos, mesmo não sendo possível definir de forma unânime e concreta o que é a Estética Matemática.

Facto é que a investigação matemática é movida pela curiosidade que os matemáticos sentem na procura dos aspetos mais bonitos da ciência dos números. A comunidade matemática reconhece um conjunto de critérios que definem um ideal de beleza matemática, nomeadamente, a significância, a surpresa, a simplicidade, a conexão e o aspeto visual dos termos, conceitos e ideias.

Apesar deste reconhecimento e à semelhança de todas as outras estéticas, a Estética Matemática é considerada subjetiva. Esta depende dos objetivos matemáticos que cada pessoa tem e da opinião pessoal acerca da matemática em si. Ou seja, o julgamento estético na Matemática depende do background do conhecimento matemático que cada pessoa apresenta. Conceitos muito complexos ou pouco comuns nas suas ideias tendem a ser considerados pouco apelativos. Como existe algum desconhecimento por parte de quem os estuda, essa situação irá influenciar a forma como se encara determinada ideia.

Em relação à Matemática a situação é semelhante. Se o aluno nunca tentou explorar, nem lhe deram a conhecer a beleza da Matemática como ciência, é normal que a sua perceção estética seja reduzida.

Costumo dizer que não gosto de ver futebol porque, de facto, nunca perdi tempo a perceber o que me atrai no “desporto rei”... Talvez não tenha conhecido ainda a sua beleza.

A Estética Matemática tem, portanto, uma grande influência na aprendizagem e na motivação dos alunos. Cabe-nos a nós, professores e educadores, o papel de apresentar a Matemática da forma mais “bonita”. Desta maneira, os alunos ficarão mais motivados para o estudo da Matemática porque compreendem o seu verdadeiro sentido estético. Julgo que concordamos que há três aspetos diretamente relacionados com a verdadeira atividade de investigação matemática: o explorar, o avaliar e o motivar. Estes só serão postos em prática através do desenvolvimento de tarefas que os promovam e que os conduzam nesta descoberta da estética matemática.

Em jeito de conclusão, já Aristóteles dizia “O belo é o esplendor da ordem”.