Uma das ideias que tem de ser recorrente no pensamento de um professor é que ele tem de se considerar, ao longo da sua carreira, um aluno. Já diz o velho ditado “Ensinar é aprender duas vezes” e é bonito quando a relação de aprendizagem é estabelecida de forma bidirecional entre professor e alunos.

Parece um pouco difícil de acreditar, mas o professor também aprende com os seus alunos. E, por vezes, aprende muito mais do que aquilo que ensina. E na atividade matemática isso é recorrente. Quando o professor tem a capacidade de ouvir os seus alunos e de os escutar, é possível que se surpreenda com os resultados que recolhe. Por vezes, a capacidade de raciocínio matemático dos miúdos consegue ser tão forte, eficiente, eficaz e, ao mesmo tempo, tão simples e original que só de ouvir é arrepiante.

A disciplina de matemática tem destas proezas. Tem a capacidade de surpreender pela sua simplicidade aliada ao seu grande poder como ciência. É importante que o professor perceba que muitas vezes ouvindo os alunos e a sua forma simples de pensar, ele próprio conseguirá aprender novas formas de saber e aplicar matemática. O professor tem de ter a capacidade de reconhecer que nem sempre sabe tudo, mas sempre tendo consciência que aquilo que sabe é o suficiente para praticar a sua profissão.

Nós, professores e, em particular, os de matemática, temos que conseguir nos desafiar a nós próprios a colocar-nos em situações de descoberta e que à partida desconhecemos a resposta. Temos de nos colocar também a pensar... Não a pensar pelos alunos, mas a pensar com eles.

A sala de aula de matemática consegue ser um espaço rico em aprendizagens para todos os que dela fazem parte. Não poderá passar por um local caracterizado por um único discurso e forma de pensar. Deverá abranger todos de forma igual... Como se de um trabalho de equipa se tratasse e que realmente é.