Realizou-se no dia 6 de março a final do Campeonato Nacional de Jogos Matemáticos (CNJM), em Vila Real, e contou com a presença de mais 1500 participantes. Esta foi a 11ª final e representa um conjunto muito mais alargado de participantes que jogaram nas escolas até ao apuramento de um representante de cada jogo por escola. É uma organização nacional que nos deve encher de orgulho e que merece o apoio de todos os agentes educativos. 

O caráter lúdico e competitivo desta iniciativa nunca foi confundido com facilitismo nem o distanciamento da matemática formal impediu de ver o CNJM como um evento que não fosse um acontecimento matemático relevante. A incompatibilidade entre atividades lúdicas e exigentes só existe no preconceito de alguns.


O CNJM (e outras competições matemáticas com popularidade crescente) tem contribuído para uma relação de proximidade com a Matemática, por parte de alunos e pais, que deveria ser incorporada pelo currículo formal. Todos os alunos deveriam ter a oportunidade de desenvolver as competências matemáticas envolvidas na atividade de jogar. Mesmo sem qualquer estruturação curricular o CNJM (e as outras competições matemáticas) têm vindo a ganhar adeptos entre os alunos e a merecer o esforço e o empenho de professores. Estes sinais deveriam alertar para a importância de um currículo que fosse facilitador de atividades deste tipo para a generalidade dos alunos, e não como um peso adicional para professores e alunos. A sobrecarga de temas, a dificuldade de gestão do currículo no tempo disponível e o peso dos exames finais - em todos os ciclos - não são elementos facilitadores para a promoção deste tipo de atividade pelos professores, nem terreno fértil para a adesão dos alunos… e mesmo assim o CNJM acontece! 

Temos assistido a uma diabolização de atividades lúdicas e gratificantes para os alunos. Os currículos, os exames, e a organização social têm assentado na lógica de que uma grande quantidade de conteúdos são a chave para o sucesso posterior. Cada vez mais cedo os alunos são submetidos a mais horas de trabalho, a aprendizagens mais abstratas e mais complexas, em nome de uma melhor preparação. Os ganhos decorrentes de atividades lúdicas e que desenvolvem atitudes positivas em relação à Matemática têm sido negligenciados ou deliberadamente ignorados. 

Em alguns países, o xadrez é uma parte integrante do currículo por se entender que existem ganhos para o desenvolvimento das crianças na atividade de jogar. A opção pelo xadrez, por jogos integrantes do CNJM, ou por outra alternativa, é uma questão que pode (e deve) ser discutida. Nós, por cá, temos um bom exemplo… o módulo B5 do programa de Matemática dos cursos profissionais de nível secundário aborda o tema “Jogos e Matemática”. É um módulo de opção, e por isso só disponível em alguns cursos, e ainda dependente da iniciativa de quem decide os módulos de opção a lecionar no curso… mas pode ser um ponto de partida. É possível estudar jogos em Matemática… e desenvolver competências matemáticas jogando.

primeira versão deste texto foi originalmente publicada na rubrica Valor Absoluto do Clube de Matemática da SPM, em 11 de março de 2015.