Final de ano... Cansaço.... Muito cansaço. Últimos cartuxos são dispensados para conseguirmos terminar a tempo o programa (extensíssimo) de Matemática. Para quem está muito atrasado na planificação é um desespero.

De repente, existe urgência de terminar o programa para que os alunos passem para o próximo ano letivo com todo o conhecimento que é previsto terem. Aumenta-se a velocidade de transmissão da informação e exige-se mais dos alunos. Impõe-se um ritmo de aprendizagens que não é adequado aos alunos cujas capacidades não são tão desenvolvidas. Como termina tudo isto... Em resultados menos positivos e nada satisfatórios, centrados em capacidades supérfluas de uma matemática que em nada servirá para a construção de conhecimento útil nos alunos.

É verdade... Os alunos ouviram a matéria toda, têm tudo registado no caderno e foi tudo falado em aula. Mas será que realmente aprenderam o que é essencial...? Será que os alunos adquiriram as “verdadeiras” competências matemáticas...?

O Programa é extenso... Isso julgo que toda a gente concorda. Com pormenores demasiado abstratos e que tocam a “picuinhice” extrema (peço desculpa pelo termo, não me ocorre outro) para uma verdadeira Matemática inclusiva e que se quer construtora de conhecimento útil. Mas entre tanto conhecimento “importante” (mas não essencial) para alunos de tenra idade não deveria o professor de Matemática selecionar os conhecimentos supérfluos dos verdadeiramente importantes? Para quê tanto assunto que nada interessa e que não se encaixa na realidade dos alunos a que se destinam? A sociedade é apenas composta por matemáticos ou a escola também tem de formar advogados, escritores, mecânicos, entre outros?

Vá lá.... Sejamos realistas. Os alunos vão se lá lembrar do que é um segmento comensurável e incomensurável daqui a alguns anos? Ou do que dizia o Teorema de Tales e o seu recíproco? Afinal o que lhes irá ficar da Matemática?

Cada vez mais é exigido a qualquer um de nós a capacidade de resolução de problemas, a capacidade de raciocinar de forma lógica e coerente, de argumentar, de conseguir interpretar e comunicar Matemática no dia-a- dia, de conseguir realizar modelação matemática... A rapidez de resposta aos problemas do dia a dia de qualquer pessoa baseia-se nessas capacidades matemáticas. Isso é o que irá ficar nos alunos e é o que se espera que eles levem da sua aprendizagem de Matemática.

Na minha perspetiva, cabe ao professor selecionar o que é realmente importante no tão falado e controverso Programa de Matemática. É ele que tem o poder de decidir o que é importante que os seus alunos aprendam... É a ele que cabe a decisão entre ter um conjunto de alunos desinteressados pela “seca e inútil” Matemática ou um conjunto de alunos estimulados por descobrir e fazer matemática.