Os exames estão aí à porta. Tempo de iniciar a produção da “máquina” de criar conhecimento provisório. Em poucos dias, os alunos tentam chegar a todo o conhecimento que estudaram num ciclo escolar completo e os professores entram nas semanas da loucura de preparações, de vigia das provas e de correções em grande número e intermináveis. A época de exames faz com que o sistema educativo se centre apenas neste ponto. A sua realização não justifica a importância que é dada a uma quantidade de recursos que são necessários para que eles aconteçam e à pouca relevância que é atribuída a outros pontos centrais mais importantes do ensino.

Por um lado, os alunos ficam com o seu sistema nervoso alterado, acabam por canalizar toda a sua energia e concentração neste cansativo processo. Em poucos dias, tentam estudar três, quatro ou mais manuais para que estejam prontos para um exame que integra todos os conteúdos de três anos escolares. Agora isto resulta num cenário que considero ser muito pouco saudável quer física, quer psicologicamente para os próprios e em nada contribuirá para o seu futuro (isto em termos práticos).

Admitem-se assim dois possíveis resultados... O aluno estuda e consegue ter sucesso na sua demanda. O aluno estuda e por fatores que ultrapassam a sua própria consciência, o resultado acaba por não ser o melhor.

Por outro lado, os professores entram em crise de cansaço. Afinal de contas, é um enorme investimento temporal no processo de preparar os alunos (o ato de ensinar passa para segundo plano). A ideia é que eles cheguem a exame e tenham o melhor desempenho possível. Mas será que as energias estão a ser concentradas naquilo que realmente interessa (refiro-me à verdadeira formação escolar dos alunos, à convergência com aquilo que são as reais aprendizagens essenciais)?

Atualmente, a cultura dos exames está enraizada e já é aceite de forma natural por todo a comunidade educativa. Mas é importante realizar uma reflexão cuidada acerca do intuito real que estes têm nas aprendizagens dos alunos e nas consequências que acarretam para a concretização da verdadeira missão de um professor de Matemática.

Deixo para reflexão do leitor as seguintes declarações prestadas pelo Sr. Ministro da Educação ao site do Publico e publicadas no dia 18 de junho do presente ano: “Os exames não são a finalidade das aprendizagens; (é) instrumento que permite a cada estudante mostrar a si mesmo e aos seus professores” aquilo que realmente aprendeu. E com isto pergunto.... Será que os exames estão a ser encarados como meio ou estes são encarados como fim de todo o sistema educativo? Será que eles conseguem demonstrar aquilo que realmente o aluno aprendeu ao longo dos seus 12 anos de Matemática tal como é referido pelo Ministro?