Os deputados da Assembleia da República têm que tomar uma decisão sobre a matemática escolar. A propósito da petição sobre a suspensão do novo programa de Matemática A para o ensino secundário, a Assembleia da República foi chamada a avaliar a petição e terá que tomar uma decisão - pode consultar todos os documentos na página da Assembleia da República

Como é habitual existem as tomadas de posição “naturalmente contra” e “naturalmente a favor”, sendo conhecido, e amplamente divulgado, o posicionamento dos agentes educativos mais envolvidos na questão. Os deputados da Comissão de Educação e Ciência ouviram estes, que apesar de não serem aqui enfatizados merecem a melhor consideração, mas também outras entidades e personalidades com um posicionamento menos conhecido. 

A opinião dos matemáticos foi, desde o início do processo de discussão do programa, alvo da atenções de todos. Foram muitos os que citaram as palavras de Sebastião e Silva - alguns antigos alunos do Professor - como um indicador claro de um posicionamento em oposição à filosofia do novo programa. Houve também quem tenha defendido que este matemático não queria dizer o que disse…  

Mas no contexto da apreciação da petição, a Assembleia da República solicitou a um dos matemáticos portugueses vivos, com maior notoriedade, uma tomada de posição. Neste caso, o Professor Franco de Oliveira foi claro, e pronunciou-se especificamente neste contexto: “sou de parecer que os cinco pontos da petição afiguram-se absolutamente pertinentes”.  

No domínio coletivo são conhecidas as discordâncias entre os posicionamentos da APM e da SPM. Mas estas não são as únicas “entidades coletivas” com relevância na definição de um programa de Matemática. A SPIEM (Sociedade Portuguesa de Investigação em Educação Matemática) e a SPE (Sociedade Portuguesa de Estatística) clarificaram, novamente, o seu posicionamento relativo a esta questão - o novo programa não é adequado, nem do ponto de vista das aprendizagens dos alunos, nem do ponto de vista das opções que se tomaram, em concreto no domínio da Estatística. 

Finalmente as entidades com um posicionamento mais exterior à Matemática, como associações de pais e de dirigentes escolares também se pronunciaram. Nenhuma defendeu a entrada em vigor deste programa. Mais recentemente juntou-se a esta lista a tomada de posição do CRUP (Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas) enfatizando a necessidade de uma maior avaliação do programa em vigor e do mérito de uma implementação mais cuidadosa. 

Será agendada uma discussão em plenário na Assembleia da República. Os deputados da nação vão resolver problemas de matemática… pelo menos um. O enunciado é amplamente conhecido, os dados relevantes já foram identificados e a curiosidade sobre a solução é enorme... 

primeira versão deste texto foi originalmente publicada na rubrica Valor Absoluto do Clube de Matemática da SPM, em 11 de abril de 2015.

Atualização: No dia 21 de maio os projetos de resolução, relativos à suspensão e reavaliação do programa de Matemática A, foram avaliados no parlamento, e rejeitados com os votos contra dos partidos PPD/PSD e CDS/PP, ainda que tenham recolhido os votos favoráveis de todos os restantes partidos (PS, PCP, BE e PEV), sem se registarem abstenções.