Atualmente, parece estar a haver uma crise do ensino e aprendizagem em Matemática.
As escolas estão cada vez com menos professores inovadores de Matemática. Os cursos de ensino superior dedicados à formação de professores têm cada vez menos alunos... Escasseiam pessoas que se queiram dedicar à carreira docente e, principalmente, ao ensino da Matemática.
Os alunos cada vez menos estão a ficar preparados para resolver problemas e raciocinar corretamente e matematicamente... Cada vez mais estão desanimados porque a Matemática é difícil e complicada.
O tempo é menor para consolidar, trabalhar e construir Matemática de forma independente e autónoma.

E tudo isto surge com o novo Programa de Matemática homologado em 2013.

Todos concordamos que o Programa é extenso e desajustado... A Matemática tornou-se seletiva, desintegradora, dedicada e construída apenas para os inteligentes. E muito se tem escrito sobre o assunto e, portanto, é caso para se dizer “Vira o disco e toca o mesmo”. Mas será que queremos manter esta situação? Será que nos queremos conformar com aquilo que temos? Devemos ficar de braços cruzados à espera que alguém lute, reclame, exponha por nós? Não deveremos todos nós professores de Matemática pressionar para a mudança do atual currículo da disciplina?

Pequenos passos foram dados que indicam uma possível transformação e mudança. A entrada da flexibilidade curricular, a discussão pública de novas ideias e assuntos que (arrisco eu a dizer) nunca foram discutidos, a aposta em novos projetos de inovação pedagógica... Mas, principalmente e atualmente, a consulta pública relativamente aos currículos do ensino básico e secundário atualmente em vigor. Não é estritamente dedicada à Matemática, mas indicia que o governo pretende mudar e/ou alterar o panorama geral do que se passa atualmente no ensino. É importante nós, professores, participarmos como cidadãos ativos, mas principalmente como principais impulsionadores para a mudança no ensino. Todos os contributos são com certeza preciosos e fazem a diferença. Pelo que devemos participar ativamente em todo este processo de possível mudança.

É preciso pressionar o ministério... Escrever sugestões, reclamações, dúvidas e anseios. Expor o que está mal na Matemática, quais as emoções que se vivem dentro de uma sala de aula da disciplina, o que se pretende para ela no futuro... E isso só se poderá fazer publicamente e institucionalmente (refiro-me ao Ministério da Educação) e não deixarmos esses desabafos à sala dos professores. Participemos ativamente em todo este processo.

Já diz o popularmente se diz que duas cabeças pensam melhor que uma. Não deixemos o nosso dever como professores de lutar por ensino de qualidade, integrador e inovador. Sejamos didaticamente e matematicamente ativos.