Finalmente, um alívio... Entraram em vigor as Aprendizagens Essenciais (AE’s) para a disciplina de Matemática. Um alívio parcial, visto apenas serem implementadas nos inícios de ciclo (primeiro ano, quinto ano, sétimo ano e décimo ano). Mas o que realmente isto significa e em quê que isto é melhor em relação aquilo que tínhamos?

Primeiramente, as AE’s põem o poder de decisão curricular nas mãos do professor. Não totalmente, mas parcialmente. Relativamente aos conhecimentos, capacidades e atitudes, se repararmos as AE’s são pouco extensas no que se pretende, mas não deixam de ser completas. Não declaram claramente que abordarmos tópico x, y ou z. Lançam apenas ideias gerais sobre alguns tópicos. Mas então o que ensinar em específico?

A ideia é que os professores de determinada escola construam um currículo de Matemática que se adequa aos alunos da região que abrangem. Assim, se os docentes de Matemática de uma escola incluem abordar um determinado assunto matemático, privilegiando certos tópicos e métodos de trabalho, não implica que a escola ao lado o faça da mesma forma. O que é certo é que esse assunto terá de ser abordado nas duas escolas, quer seja de forma diferente, quer seja de forma igual.

O intuito destas AE’s é darem privilégio às boas práticas de ensino e aprendizagem da matemática, destacando a resolução de problemas, o raciocínio matemático e a comunicação matemática, e promover a adaptação do currículo ao público a que ele se destina.

De forma clara, as AE’s vão ao desencontro aos manuais escolares atualmente em vigor. E ainda bem!

Mais uma vez, o poder está do lado do professor. Ele é quem define os materiais a usar e a forma como os usar (já agora e num aparte, voltou finalmente o ensino a privilegiar a tecnologia; bem vindo novamente ensino da Matemático para alunos do século XXI!). Com a implementação destas AE’s antes do período temporal da troca de manuais das escolas, vai exigir dos professores esse trabalho: o criar, produzir e selecionar os seus próprios materiais de sala de aula, de projeto e de trabalho autónomo dos alunos. É caso para aproveitar e iniciar um período de reflexão acerca do intuito da utilização do manual escolar pelo professor e a sua excessiva dependência por esta “droga” pedagógica.

Além disso, as AE’s levantam certas inquietudes na classe docente. Toda a gente se questiona acerca da avaliação externa destes alunos. Lê-se no decreto de lei n.º55/2018, artigo 25.º, que a avaliação externa dos alunos abrangidos pelas AE’s irá abranger apenas e só os tópicos que lá se indicam. Apesar de não descansar ninguém, continuamos numa situação vaga em relação a este processo. E, nós, professores de Matemática, precisamos de mais, tendo em conta à importância que a nossa disciplina assume na maior parte dos alunos.

Assim, e apesar das adversidades, é caso para dizer que, com tanto poder de decisão, há que aproveitar o que está em nossas mãos... Não vá acontecer voltarmos ao que já tínhamos: um conjunto extenso de metas, impossíveis de cumprir e a maioria desnecessária para formar os alunos da realidade atual.