Antes de começar, façamos o seguinte exercício... Imaginemos que éramos investigadores matemáticos de profissão (que acabamos por ser, mas não na totalidade do conceito)... Qual seria a melhor parte de descobrir a solução de um problema de Matemática? Seria o chegar ao raciocínio? Seria o chegar à estratégia? Seria a realização dos formalismos de cálculo do problema? O que nos iria dar “prazer” ao sermos matemáticos?

Reflitamos agora sobre o ensino da Matemática e deixemos esta pequena reflexão para o final do texto. O que se pretende que um professor de Matemática trabalhe com os seus alunos?

Como docentes de Matemática, na minha perspetiva, temos a missão de ensinar os nossos alunos a serem “mais” e melhores ao longo do tempo. Temos que conseguir que eles se preparem para enfrentar as exigências sociais e profissionais do seu futuro: conseguirem se adaptar a todas as realidades e perspetivas que possivelmente irão enfrentar; conseguirem não desistir perante as adversidades; conseguirem resolver qualquer problema; conseguirem saber comunicar e ouvir comunicar. E pensando numa perspetiva pessoal, tudo se baseia na resolução de problemas.

A Matemática, como uma das disciplinas curriculares base, serve essencialmente para isso (ou pelo menos deveria servir como disciplina pertencente ao currículo atual). O seu grande objetivo é estimular os alunos e futuros cidadãos a resolverem problemas, a seguirem o “famoso” método de Polya no seu futuro dia a dia.

Mas aonde pretendo chegar com isto... Nós professores nunca deveremos esquecer que o que se pretende com a Matemática é promover a resolução de problemas. A parte dos formalismos e burocracias matemáticas (regras e mais regras e mais regras e mais regras e ainda mais regras) vêm por acréscimo e porque estão intrínsecas à natureza da ciência em si. Mas a Matemática é muito mais que regras operatórias, cálculos extensos, expressões cheias de parênteses, multiplicações, potências e radicais. A Matemática é o “desenrascar”, é a originalidade, é a criatividade, é a eficácia e a eficiência (e de preferência as duas juntas). Não nos deveria interessar regras, fórmulas e procedimentos. Nós, professores de Matemática, deveríamos valorizar método, raciocínio e estratégia. Até porque qualquer um consegue fazer contas e cálculos (basta algumas horas de treino e estudo). Mas não é qualquer um que é um verdadeiro resolvedor de problemas. E é aqui que nós entramos... Os professores de Matemática têm como missão conseguir com que venha à tona o verdadeiro resolvedor de problemas que há em cada um dos seus alunos.

E agora tendo em conta isto... Afinal qual a fase que eu consideraria mais entusiasmante como investigador matemático? Não são os cálculos, não são as potências, não são os radicais, não são os formalismos (que sei que fazem parte). Para mim, não há nada como a súbita e inexplicável fase do arranjar da estratégia, da ideia, da “lâmpada” que se acende dentro do balão do pensamento, o momento “Eureka!”. Esse para mim seria o melhor momento como investigador matemático. E julgo que nenhum matemático me irá contrariar. É isto que os dá prazer e gozo.

Assim, comecemos a atribuir a verdadeira importância da Matemática para a resolução de problemas e passemos para segundo plano as infinitas e infinitas e infinitas (talvez literalmente) regras matemáticas. Por vezes, um problema muito simples é bem mais interessante do que um problema corriqueiro com uma expressão numérica enorme para resolver.