O processo avaliativo é um dos aspetos mais difíceis de se concretizar em educação, uma vez que envolve uma grande quantidade de variáveis que ninguém consegue dominar. A avaliação depende das condições logísticas e sociais que vão desde o material disponível e que se pretende usar até à concentração e estado emocional de quem é avaliado.

Quando pensamos avaliação, a maior parte de nós pensa em testes. Refletindo sobre fichas de avaliação sumativa (que é o que mais se aplica nas escolas desde sempre), pergunto como é possível que os alunos sejam avaliados seja pelo que for num curto espaço de tempo? E como é que isso consegue refletir numa avaliação justa que vá ao encontro com o Perfil do Aluno à saída da Escolaridade Obrigatória? Pensando no típico modelo de teste, aquele convencional de um conjunto limitado de questões envolvendo os conceitos matemáticos necessários e que qualquer aluno tem de “saber” e uma ou outra questão mais “difícil”, aonde fica o relacionamento interpessoal para avaliar? E o desenvolvimento pessoal e autonomia, como poderemos avaliar em contexto de ficha de avaliação? A sensibilidade estética e artística aonde fica?

Se pretendemos incutir uma cultura de currículo formador de futuros cidadãos interventivos, informados, responsáveis, curiosos, participativos e outros tantos adjetivos que se prevê que o cidadão ideal possua no seu pleno, é necessário repensar todo o processo avaliativo. Infelizmente, as fichas de avaliação dominam todo o processo avaliativo e, na minha opinião, não conseguem avaliar quem realmente é bom em matemática. Os professores formam os alunos para os testes e para os exames. Existe pouca preocupação com a verdadeira formação de alunos. Damos matéria para o teste. Sim! Matéria e ainda por cima para o teste!

Infelizmente, não ensinamos para desenvolver alunos. O sistema educativo não forma para desenvolver capacidades e atitudes, sempre de mãos dadas com os conhecimentos. O sistema educativo forma principalmente para o domínio do conhecimento. E as capacidades e atitudes vêm por acréscimo, nem que seja mais tarde ou até nunca.

Queremos ser melhores como sociedade. Queremos ser competitivos a todo o custo. Mas como, se a cultura de escola se mantém e não muda? Será que conseguimos alcançar tal objetivo?

Há que desenvolver projetos diferentes em sala de aula, a nível micro e macro, de forma interdisciplinar e dentro da própria matemática.

A sociedade pede mais e melhor. A sociedade pede investigação, trabalho em equipa, experimentação, análise e tratamento de dados. Queremos jovens para o século XXI e não jovens para o século XX. A escola tem de ser pensada e repensada e um dos aspetos críticos a refletir sobre isso é a avaliação.