As aprendizagens essenciais vieram abrir o campo da realização de projetos disciplinares, estendendo assim o conceito de processo de ensino para algo mais do que miúdos sentados a ouvir. Passou a deixar de ser central apenas os conhecimentos ou componentes cognitivos nos alunos para uma visão mais ampla do conceito de aluno. Este é muito mais do que o domínio de conceitos e procedimentos, passando agora a integrar uma junção e interligação infinita e sempre em evolução entre o seu Conhecimento, as suas Capacidades e as suas Atitudes.


No entanto, e na minha perspetiva, há uma perspetiva de que a disciplina que menos projetos desenvolve é a Matemática. Todos nós ouvimos sempre dizer que a “Matemática está em todo o lado”, mas se pedirmos a alguém para concretizar e exemplificar tal ideia, nem sempre obtemos uma resposta ou obtemos sempre as respostas mais “clichés”. “Ah! A Matemática está nas finanças.”, “A Matemática está nas Estatísticas Portuguesas.”, “A Matemática onde está? Não sei muito bem, mas ela é muito utilizada.” De facto, o mais fácil é desenvolver um projeto que estude o tamanho dos sapatos dos alunos da turma e está feito!

Mas conseguimos ir mais além disso com a Matemática? É possível fazer Projetos envolvendo Matemática que vai para além da tradicional Matemática? Claro que sim. A única coisa que nos impede de desenvolver um projeto em Matemática é a nossa incapacidade de arriscar e inovar como docentes. Vejo que o conceito de Projeto na disciplina de Matemática é desvalorizado a nível geral, pois o que importa é a avaliação dos testes.


Mas então que projetos? Vejamos uma lista projetos e que, apesar de serem ideias simples, dão trabalhos interessantes e divertidos.

  • “Á Descoberta de Isometrias”
    Que tal pegar nos alunos e sair fora da sala de aula? Que tal utilizar as tecnologias que tão familiares são para eles e que nunca as conseguimos vencer? Que tal explorarmos um tema tão concreto quanto as Isometrias e pedirmos aos alunos para “caçarem” reflexões, translações e rotações no meio escolar? Dá ideias bastante interessantes e originais e que podem ser estendidas a outros ambientes.
  • “A Caça ao Tesouro”
    Quem diria que as famosas “charadas” das caças ao tesouro associadas aos lugares geométricos dariam um desafio tão envolvente e divertido? Basta nós pegarmos num mapa da escola e construirmos um guião de construção. O resultado são alunos envolvidos numa atividade que para eles é divertida e bastante “matemática”.
  • “A construção e medição de um cone”
    Já que temos que estudar os volumes de sólidos geométrico, podemos sempre pedir aos alunos para construírem um e determinar o seu volume com o máximo de precisão possível. Claro que o cone exige muito mais do que meros cálculos matemáticos para o construir, pois é necessário que tudo encaixe na perfeição.
  • “Os Media como Divulgadores Matemáticos”
    Que tal pegar num artigo de um meio de comunicação e pedir aos alunos para efetuarem a sua análise detalhada? Esta dá origem a umas discussões muito interessantes e polémicas, principalmente se escolhermos um artigo com algumas informações menos corretas (em detalhes). Ainda se pode pedir para os alunos argumentarem e darem a sua opinião sobre o tema que dá origem a este projeto.
  • “Modelação Matemática”
    Que tal pegar em dados reais sobre um determinado assunto e tentar construir o melhor modelo matemático para esses dados? Para além de explorar as potencialidades totais da máquina de calcular gráfica, os alunos ficam com uma ideia real do que um matemático faz no seu dia a dia. Ideia interessante e ainda não explorada por mim. Mas que promete.

  • Claro que estas são apenas algumas ideias que poderão dar origem a uma lista ainda mais extensa de outros projetos diferentes. As aulas animam e os alunos desenvolvem-se e envolvem-se numa área que afinal está mesmo muito presente no dia a dia da sociedade e que possui várias aplicações. Algo que num ambiente de sala de aula tradicional não é assim tão óbvio para os alunos.