Há muito tempo que estava para escrever este texto. A minha idade comparada com a grande parte da comunidade docente que conheço é, relativamente, diminuta. Pelo que, contextualizado nessas mesmas comunidades, considero-me o “Benjamim” do grupo.

Assim sendo, por vezes de forma propositada e outras tantas de forma inocente, ouço o típico dizer “És muito novo. Não sabes como isto se faz.” Porquê é que não sei? Porquê que um professor com 3 anos de carreira sabe menos que um professor com experiência de 20 anos de ensino? É um facto... Não vi tanto quanto as pessoas mais experientes, nem vivi tanto. Mas também é um facto que me aproximo mais da realidade dos alunos que se apresentam todas as manhãs na minha sala de aula.

Assim sendo, posso afirmar, em nome dos atuais alunos do sistema de ensino, que parte dos atuais ideais do ensino da Matemática (e até diria do ensino em geral) estão erradas. Está errado ensinar alunos para exames e para rankings. Está errado ensinar alunos para memorizar, para balizar o seu pensamento. Está errado formatar os seus pensamentos e não os deixar fluir.

Mas há aí quem neste momento me lê e pensa.... “Mas quem é este “puto” que chega aqui e julga que sabe mais do que eu sobre o que é ensinar?” Sou alguém que decidiu incomodar quem está vivendo numa redoma de comodismo e que não aguenta o modernismo. Alguém que não aguenta ver alunos desinteressados e nada entusiasmados com a disciplina, só porque se promove que a Matemática é o bicho papão da escola... Só porque se promove que a Matemática tem de ser difícil... Só porque se promove que a Matemática é a disciplina dos mentalmente privilegiados e dos “inteligentes”.

Sim. O objetivo deste texto era incomodar e deixar incomodado. Colocar a pensar quem se acha no direito de dizer a jovens Professores de Matemática que determinada ideia é absurda ou pouco exequível, só porque vai dar trabalho.
Sim. O objetivo é incentivar quem, com a sua vasta experiência, quer fazer sempre mais e melhor. Incentivar quem gosta de inovar constantemente desde há 20 anos atrás. Incentivar quem nunca baixa os braços aos constantes novos desafios do dia-a-dia.
Sim. O objetivo passa também por influenciar a quem quer fazer diferente e melhor a agir, independentemente daquilo que vos digam. Só nós sabemos o que é chegar a casa e sentir aquele gostinho de dever cumprido. Sentirmos o pleno de autorrealização. Há que continuar, pois o futuro é nosso e dos nossos alunos.

Termino este texto, usando palavras de Churchill com as quais me identifico... “A maior lição da vida é a de que, às vezes, até os tolos têm razão.”